No decorrer de vários anos vimos o auge e a bancarrota de várias culturas no Estado do Ceará, e agora estamos prestes a ver mais uma cadeia produtiva comprometida , podendo a exemplo do que aconteceu com a carnaúba, oiticica e algodão, ser literalmente destruída.
O problema se resume por pelos menos três vertentes: preço da castanha, que não remunera os custos de produção, lucro concentrado entre os atravessadores, especuladores e os industriais e a falta de adoção de tecnologias no campo devido a falta de assistência técnica junto os produtores, aliado a idade avançada e a baixa produtividade dos pomares.
O setor industrial visando manter a sustentabilidade das suas empresas terá de alguma forma melhorar o preço da castanha paga ao produtor. É muito difícil, para nós cajucultores, compreender no momento, que a nossa castanha ser paga de R$ 1,20/kg a R$ 1,30/Kg, enquanto a castanha importada, custou aproximadamente R$ 3,00/kg, sendo de inferior qualidade, podendo, inclusive, trazer riscos fitossanitários aos nossos cajueirais. Este fato foi constatado por alguns técnicos por ocasião do desembarque da castanha importada no porto do Pecém.
A derrocada da cajucultura no estado do Ceará terá impacto negativo muito grande na área social, uma vez que de 60% a 70% da produção se concentra nas pequenas propriedades, consequentemente, na mão de obra da agricultura familiar, que sem a ocupação e renda migrará para as zonas urbanas de seus próprios municípios, inclusive para a cidade de Fortaleza, causando os já conhecidos problemas sociais, como drogas, prostituição, violência, criação de novas favelas, além do aumento da violência urbana.
1) Suposta Formação de Cartel
É público e notório, a existência de algumas ações organizadas que supostamernte caracterizam a formação de cartel no Estado do Ceará, com o objetivo de determinar o preço a ser praticado na compra de castanha, beneficiando, cada vez mais, os industriais, atravessadores e especuladores em detrimento aos produtores e agricultores familiares;
Caracterização:
Na época da safra os industriais se reúnem e combinam o preço que vão comprar, suponhamos que tenham 8 compradores e 7 ficam comprando de R$ 1,20 e 1 ficam comprando de R$ 1,25, é claro que todos “correm”, para vender no que está pagando menos barato e não mais caro. Quando este passa uma semana comprando por este preço, ligeiramente maior e não precisa mais de castanha, outro assume a compra e assim é feito o rodízio entre todas, onde todas compram a sua necessidade no momento, de acordo com os contratos firmados com as empresas compradoras;
2) Importação de Castanha em plena safra do Ceará e impacto no preço da castanha da safra atual
Algo inconcebível de acontecer exatamente na safra, mas está acontecendo e trazendo sérios prejuízos a toda a cadeia produtiva;
Alguém explica o fato real de pagar R$ 2,97 (dois reais e noventa e sete centavos) a castanha importada de qualidade inferior e pagar a nossa castanha apenas míseros R$ 1,30 ? (um real e trinta centavos), podendo cair para R$ 1,00 (um real)como já ameaçou alguns compradores.
Caracterização:
Já não bastasse a situação complicada causada pelo suposto cartel, ainda tem as situações adversas, criadas pela própria cadeia produtiva
3) Mão de obra escassa
Com o advento da normativa do Trabalho Decente, serão necessário o produtor cumprir 251 exigências, o descumprimento de uma delas caracterizará trabalho escravo. Na indústria não existe esta possibilidade.
4) Mão de obra cara
Hoje para se apanhar um kilo de castanha, estamos pagamos R$ 0,30 centavos, alguns R$ 0,40 centavos e já estão querendo que se pague R$ 0,50 centavos, ou seja 23 % (vinte três por cento), 30,7 % e daqui a pouco 38,4% respectivamente do valor do kilo da castanha.
Ora, se não existe rentabilidade e a castanha é inviável economicamente não só para o médio produtor mas também para o agricultor familiar, pois se o mesmo colocasse seu próprio trabalho na composição do custo de sua castanha verificaria também, que seu negócio não é rentável;
5) O que pagamos pela mão de obra para produzir é igual ao que a indústria paga para agregar valor
Salário mínimo no campo R$ 545,00
Salário mínimo na indústria R$ 545,00
Preço de 5 kg de castanha R$ 6,50
Preço de 1 kg de amêndoa R$ 25,00
Preço de 1 kg de amêndoa ao consumidor R$ 45,00 (no Ceará) outro estado R$ 65,00
Quem fica com a maior parte ?
7) O risco da produção é 100 % do produtor
Na produção, o produtor investe sem ter certeza que retirará o seu investimento, na indústria o retorno do investimento é garantido, pois a castanha está em seus galpões. Com as intempéries da natureza além da descontinuidade na regularidade das chuvas, devido as alterações climáticas, a produção fica ainda mais complicada.
8) 100% da agregação de valor é da indústria .
Sem produção é impossível haver agregação, só queremos que repartam conosco de uma forma justa
Existe um velho ditado que diz: “Matou a galinha dos ovos de ouro”, o que acontece aqui no Ceará é exatamente o mesmo, estão literalmente matando a galinha (produtor) e ai não vai mais haver ovos (castanha).
09) Política de preço mínimo justa e atualizada
A política vigente é caduca e não atende a nossa necessidade.
10) Falta de Assistência técnica
Não existe assistência técnica para o médio produtor e o pequeno não é assistido devidamente
Aqui temos notícias e ações da Cajucultura Nacional, com ênfase no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, que juntos, respondem por 96% da produção nacional. Estamos unidos para enfrentarmos as dificuldades da nossa atividade e juntos, buscar soluções que venham a ajudar a todos, sem exceção, trocando experiências e agindo junto ao poder público para fazer valer nossos direitos. // Correspondente CE: Normando Soares // Correspondente RN: Elano Ferreira // Correspondente do PI:
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Cajucultura ou Cultura do Caju? Não importa as duas vão desaparecer - E seus 10 motivos
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